Você já olhou para fora da janela hoje?

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domingo, 18 de janeiro de 2009

Ideia que eu queria ter tido...

Às vezes vocês também ficam com aquela sensação de que queriam ter tido uma idéia que alguém já teve?

Essa aqui é uma delas pra mim:


Um 2009 inspirado

Queria desejar um ótimo 2009 nessa primeira postagem do ano. Que tenhamos um ano de muitas idéias e de muita ação também, com êxitos e iluminação para a jornada de cada um.

E para lhes inspirar, indico visitarem o site de um artista bem peculiar, que pinta o ser humano integral, conectado com seu corpo, mente, espírito e natureza. Algumas destas pinturas são feitas a partir de experiências místicas. Além da precisão anatômica e beleza das cores, suas pinturas são uma forma interessante de visualizar o mundo de forma não-dual, cada um de nós como parte de um todo mutante e em evolução, e como se dá a interação com esse todo.

Alex vê a missão da sua arte como uma forma de ilustrar a alma e exercitar a percepção interior e ligação com o divino, para uma sociedade tão acostumada a perceber somente o aspecto exterior das coisas. Boas inspirações!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

"As a man, describe a time you have felt powerless based solely upon your gender"

Bem interessante este fórum no site IntegralLife.com, nunca tinha olhado a fundo a discriminação por este lado. Parando para pensar, vejo muitas situações no nosso cotidiano atual em que me sinto assim. E voce, curinga?

"Several years ago my marriage collapsed after my wife entered into a relationship with another man, a younger man. I did not have knowledge of it until she was irreversibly entrenched in the affair. We had a few talks. We went to a mariage counselor. I learned that I was being counseled to accept the change. We separated. We are going to be divorced. That's it! I felt powerless then. I feel powerless now. A unilateral decision was made. Done. No serious discussion about the cause(s) took place. The counselors accepted the woman's choice. The woman was not inclined to discuss why. No comment to me from family, friends, or workplace then or now. I would have welcomed interest and help. None. My point. The male stereotype is strong and silent. The female stereotype is weak and noisy. I was treated as a stereotypical male and she a stereotypical female. The culture legislated against me in favor of the woman on every level. All she had to say was "people change." Had I done the same thing the culture would have sympathized with the woman. It seemed that all of the consideration in this action was in the woman's favor. So, on one hand she was given the benefit of the doubt, i.e, I was justly left for another man without explanation, and on the other I am a man, and therefore there is no discussion necessary. I would be an adulterer if I was having the affair. The woman is excused by virtue of her sex and the new view of women as independent and free."

domingo, 14 de dezembro de 2008

O Cético e a Ciberliberdade

Uma visão interessante sobre a importância do processo em contraposição à excessiva preocupação com o planejamento e resultados finais.

Há também questões-chave sobre os processos de comunicação e aprendizagem hoje e no futuro.

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O CÉTICO E A CIBERLIBERDADE

Por Marco Aurélio Fiochi e Mariana Lacerda

Paraibano de Taperoá, Silvio Meira seria engenheiro eletrônico se não tivesse se deparado, ainda estudante, com um computador. Era 1973 e ele tinha 18 anos quando viu, no fato de poder programar uma máquina, a possibilidade de criar ferramentas que facilitassem o cotidiano das pessoas, proporcionando mais qualidade de vida a todos. Um dos responsáveis por fazer do Recife, cidade que escolheu para viver, importante pólo nacional de conhecimento em tecnologia da informação, é professor de engenharia de software na Universidade Federal de Pernambuco e autor de duas centenas de textos sobre tecnologia e seu impacto na sociedade, que o tornaram referência no assunto. Nesta entrevista, Meira define-se como cético, embora creia que mais valem os caminhos e os processos trilhados do que, necessariamente, os resultados alcançados. "Acredito na capacidade dos seres humanos de, em conjunto, mudarem seus destinos inarredáveis. Não concebo que alguém esteja fadado a alguma coisa, mesmo que sejam suas crenças."

Quais são suas crenças? Em que acreditou que se tornou realidade?

Sou ateu absolutamente convicto, um cético praticante que sempre duvida das coisas. A maior parte dos projetos em que estive envolvido resultou de um caminho que segui. Os caminhos são parcialmente definidos pelo que se vai fazer, mas também influenciados pelo contexto ao redor.
O ponto de chegada não é, necessariamente, o lugar em que se acreditou no princípio. O mais importante é aproveitar caminhos e gerar resultados.

Você não crê em um objetivo formatado, mas, sim, na construção de um caminho, um processo?

Trabalho e vivo dentro de um processo que poderia ser chamado de emergência. Não acredito em destino, não sou do tipo que planeja que daqui a três anos terá determinado cargo ou realizará tal projeto. Acredito muito mais em processos, caminhos, estágios do que em destinos e pontos de chegada.A discussão sobre o conceito de emergência considera que a combinação de regras simples faz surgir situações complexas...Em parte é isso. Mas pode-se ter sua própria emergência. Não é necessário que haja fatores externos. De repente, ao fazer algo, é possível descobrir que se está construindo um caminho para chegar a algum fim. A noção de emergência, do ponto de vista moderno, do planejamento das empresas, leva em conta o mercado, a competição. A pessoa tenta definir os caminhos que vai seguir contemplando a dinâmica das interações. À medida que se entende o comportamento dos agentes ao redor, criam-se para si mesmo e para seus pares processos de inovação que levam a um futuro, um lugar, um conjunto de expectativas, interpretações, posições.

Você acredita em algo utópico?

Acredito na capacidade dos seres humanos de, em conjunto, mudarem seus destinos inarredáveis. Não concebo que alguém esteja fadado a alguma coisa, mesmo que sejam suas crenças. Nunca tive planos para fazer o que consegui fazer e participar das coisas de que participei. Muitas delas chegaram e eu as aceitei devido à minha crença na necessidade dos seres humanos de estarem abertos às opiniões dos outros e às oportunidades que aparecem. Talvez a coisa que eu mais tenha feito seja olhar para a idéia do outro e pensar que ela é muito melhor do que a minha. Então, desejo colaborar para a feitura daquela idéia. Nunca carreguei qualquer idéia na mão em que saísse dizendo por aí que acredito naquilo e que aquilo vai acontecer de qualquer jeito.

Nesse sentido de escutar o outro, o que estamos ganhando com o fato de, cada vez mais, vivermos em rede, numa sociedade da informação? O que perde e o que ganha quem está na rede?

Se olharmos para a história, veremos que sempre se viveu em redes. Os seres humanos são gregários por natureza. O que aconteceu é que a pessoa deixou de viver em seu grupo geograficamente conexo, que foi estendido por um mecanismo de dessincronização de sua capacidade de comunicação. Se pensarmos antropologicamente, os grupos humanos só podiam se comunicar com eles próprios. Como não tinham o domínio da escrita, que é a codificação da informação que permite que ela seja deixada para trás ou levada para a frente, para o futuro e para outras geografias, ficavam parados, fechados entre eles. O que vem acontecendo na história da humanidade é que, à medida que começamos a codificar o que pensamos, a criar a capacidade de transferir isso no espaço e no tempo, ampliamos as redes. Um grupo passou a ser composto de muitos autores, vários dos quais não são humanos. Isso é parte de um processo iniciado há milhares de anos. O Orkut não aconteceu do zero, mas, sim, como conseqüência desse processo. Carrego um twitter [servidor que possibilita o envio de textos via SMS, e-mail e outras formas] em meu celular, que me permite saber, por exemplo, o que meus alunos estão pesquisando. Posso interagir com eles de qualquer lugar onde esteja. Quando fazemos isso, eliminamos a noção de espaço e de tempo. No passado, eu só podia me reunir com meus alunos na universidade em que ensino.

A rede virtual ampliou as oportunidades de contato em uma escala nunca vivenciada na história da humanidade. Ela redesenhou o processo de formação de comunidades. As pessoas que não participam dessa construção coletiva, que inclui caminhos e crenças, estão ficando para trás.Você acredita, contudo, que quem está na rede pode estar perdendo algo?

Absolutamente nada. Viajo muito e "carrego" minhas duas filhas em meu telefone celular e em meu computador. Minha mulher está comigo no Google Talk e no Skipe. Deixo recado para meu filho no Orkut. Não tenho uma visão dramática da tecnologia. Existem pessoas surpresas com o avanço tecnológico. São do tipo de gente que também foi surpreendida, em outros tempos, pela criação da alavanca, da roda, pelo domínio do fogo e pela máquina a vapor. Sempre existiram pessoas que olharam para a tecnologia como se o mundo estivesse acabando. Mas o ser humano é instintivamente tecnológico. As ferramentas são parte do processo de intermediação entre o ser vivo e o ambiente ao redor. Não conseguimos apreender o ambiente em sua amplitude sem o auxílio delas. As primeiras experiências com máquinas fotográficas foram tratadas quase da perspectiva do exorcismo. Mas, hoje, a fotografia está absolutamente absorvida pela humanidade, a ponto de ser inconcebível um telefone celular sem câmera. Conheço várias pessoas que por muito tempo disseram "o celular vai destruir minha vida, porque vão me achar sempre onde eu estiver". É muita petulância de alguém não querer usar celular por achar que terá uma qualidade de vida pior, já que ligarão para ele. É ter um grau de auto-suficiência enorme. Eu olho para outro formato. No Brasil, há 148 milhões de celulares funcionando. Isso significa que estamos usufruindo uma qualidade de vida muito melhor do que a que se tinha em qualquer época de nossa história.Mas temos muito mais informação para processar...Minha tese é que isso vai aumentar ainda mais. Quando for possível a todos agregar aos aparelhos a rede social e o e-mail, estaremos muito melhor do que estamos hoje. Teremos ainda mais informação para processar? Sim! Então se apoderem dos instrumentos que permitem que elas sejam filtradas. Agreguem, referenciem, salvem as ferramentas de busca, caso queiram se tornar profissionais competentes e que entendam o mundo informacional conectado em rede que está ao redor. No futuro próximo, será inconcebível não saber manipular um aparelho celular, uma máquina fotográfica, o MySpace, o Google, o IM [recurso de comunicação executável por programas de mensagens instantâneas], e assim por diante. Porque essas ferramentas vão fazer parte da humanidade.

O que dizer da manutenção das tradições locais considerando que o mundo é uma "aldeia global"?

A expressão artística e cultural local que quiser sobreviver terá de se projetar globalmente. A cultura local que não se refletir no espelho da internet, para afirmar que é relevante globalmente, desaparecerá. Porque se os mais jovens - que são espelhados nessa máquina de produção de significados que é a internet - não virem nela o passado e o futuro de qualquer manifestação de cultura vão achá-la irrelevante. Participei intensamente de um processo interessante na capital pernambucana. O grupo Balé Popular do Recife [criado como parte do Movimento Armorial para resgate das danças e dos ritmos regionais] se deu conta de que para existir seria necessário projetar a cultura do estado no mundo. Esse grupo participou do processo de construção da noção local de que o maracatu é algo que faz sentido. Posteriormente, Chico Science percebeu que podia usar o maracatu como base para seus trabalhos musicais. Resultado: nunca se tocou tanto maracatu como hoje. As pessoas que passaram a apreciar esse ritmo não têm necessariamente ligação com terreiros de candomblé, mas se interessaram porque fizeram um passeio pelo passado dessa manifestação cultural guiadas pela linguagem contemporânea de Chico Science. Para ser sustentável localmente tem-se de ser perceptível globalmente.

Você acredita que obras de arte e livros se tornarão cada vez mais imateriais?

Cinco dos dez livros mais vendidos no Japão em 2007 foram feitos para celulares. O problema não é ser imaterial ou não; a questão é como a arte irá usar as mídias ao seu dispor. Por que no passado tão pouca gente lia e escrevia? Porque a infra-estrutura para isso era cara demais. Os tabletes de barro na Mesopotâmia [suporte onde povos antigos escreviam] eram difíceis de ser transportados. Quando passamos a contar com o papel e as prensas automáticas, vimos uma explosão na literatura. Atualmente, posso pegar um PDF de 200 páginas, uma tese de alguém que está na Filadélfia, por exemplo, e folheá-la na internet. Posso fazer uma leitura rápida desse material e concluir que seu conteúdo não me interessa. Isso a custo zero. No passado, eu tinha de mandar buscar aquele trabalho, que levaria meses para chegar, e então teria, depois de dispender muito esforço, tempo e dinheiro, a mesma conclusão: ele não tem nenhum valor para mim. Ou seja, quando se muda o suporte, é possível fazer coisas que tenham dinâmica e flexibilidade maiores a um custo muito menor.Você acredita que seja possível criar cidades digitais no Brasil?As cidades digitais serão uma realidade em todos os lugares do mundo. No Brasil, é uma questão de tempo. Todos precisam estar conectados à rede com no mínimo 10 MB [megabytes] de capacidade por segundo, em casa. Com menos do que isso, estaremos usando a internet como um cidadão de segunda classe. Pouquíssimos brasileiros estão conectados a 10 MB por segundo. Essa história de que somos os grandes usuários da rede, com mais de 27 horas per capita por mês, deve-se ao fato de que a performance de nossa internet é ruim. Seria o equivalente a dizer que os paulistanos gostam muito de andar de automóvel porque a média de horas que ficam no trânsito é de cinco por dia. Se o trânsito da cidade fosse bom, duvido que existisse uma pessoa com vocação para passar esse tempo todo em um carro.

O software livre pode ajudar a democratizar o acesso à informação?

Acho que o embate entre software aberto e fechado foi vencido por um negócio chamado non-software. Quando se usa o Gmail, por exemplo, pouco importa sua natureza, uma vez que é um serviço. Recentemente, a Microsoft anunciou que vai oferecer o Office também dessa forma. Não interessa o que ele será. A discussão é relevante do ponto de vista da educação, pois o programa aberto é um excelente meio para ensinar esse tipo de aplicativo. O assunto perde cada vez mais relevância porque o software foi para a rede, está sendo provido a partir dela como serviço e plataforma.

Como você vê o fato de as pessoas participarem da construção de um software, uma vez que ele tem uma plataforma aberta?

Uma coisa é passar o sentimento da poesia. Outra é poder observar a poesia escrita. Daí se pode pensar: eu não gosto dessa frase, vou trocá-la. Para trocá-la, o autor tem de ter licenciado o material para eu mexer nele, senão ela é uma obra artística intocável. O mesmo ocorre com um programa de computador. Se posso ver e mexer, isso é um artefato nobre de conhecimento. Agora, mesmo com a possibilidade de ver e mexer, não significa que se deva fazer isso. A poesia, por exemplo, poderá perder seu sentido. Não é todo mundo que deve e pode, e pior, que sabe fazê-la. Existe uma ilusão de que com o software livre o mundo melhorará, mas ele pode fazer o mundo piorar também. Se não tivermos autonomia intelectual e competência para mexer com eles, é melhor não fazê-lo. Porque se perdermos essa competência, seja porque nos desinteressamos seja porque outros que trabalhavam com ela desistiram, então o que fica é um grande problema para quem der prosseguimento a isso. Não se trata de um libelo contra o software livre. Por exemplo, se alguém quiser fazer modificações em seu próprio carro é bom saber que elas terão de ser arcadas por quem fez e não mais pela fábrica, que em tese tem a competência de mexer no automóvel. Isso vale para avião, eletrodoméstico e para software também. Este é um artefato tecnológico complexo que tem de ser tratado como tal. Contudo, é um superambiente de aprendizado.

Em que momento você passou a se interessar por tecnologia da informação?

Em 1973, quando entrei no ITA [Instituto Tecnológico de Aeronáutica]. Lá, havia um computador IBM em que era possível fazer programação com cartões perfurados. Ou seja, era uma máquina em que se podia mudar a função desde que houvesse um propósito. Achei aquilo fantástico, e foi um momento de redefinição da minha vida. Porque eu ia ser engenheiro eletrônico, mas na hora em que entendi a função daquele negócio não tive a menor dúvida de que iria passar o resto da vida envolvido com computadores. Uma das razões pelas quais continuo até hoje fazendo programação é porque não me sinto trabalhando. Como trabalho fazendo software, isso para mim sempre se pareceu com algo que atende a determinado conjunto estético e a regras executáveis por máquinas que não pensam, mas que têm sua serventia na construção de mundos virtuais. Quando se informatiza uma empresa, na verdade se está virtualizando aquele local em software e fazendo que seu mundo real passe a existir num sistema. Existem sistemas que dão conta do mundo real, fazem contabilidade, cuidam da folha de ponto, por exemplo. Mas o processo de construir mundos virtuais, entender para que e como eles servem, como podem influir na vida e na performance das pessoas e das instituições para mim sempre foi o maior barato, e mudou minha vida na hora em que percebi o que era possível fazer com uma ferramenta como o computador.

Em quais projetos você está envolvido no momento e no que acredita para o futuro?

Se tenho projetos, eles incluem ter menos crenças, ouvir mais as pessoas, dar menos minha opinião e ter mais tempo para colaborar com as idéias dos outros.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Choose Life


Choose Life. Choose a job. Choose a career. Choose a family. Choose a fucking big television, choose washing machines, cars, compact disk players and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol, and dental insurance. Choose fixed interest mortgage repayments. Choose a starter home. Choose your friends. Choose leisurewear and matching luggage. Choose a three-piece suite on hire purchase in a range of fucking fabrics. Choose DIY and wondering who the fuck you are on a Sunday morning. Choose sitting on that couch watching mind-numbling, spirit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth. Choose rotting away at the end of it all, pishing your last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourself.

Choose your future.

Choose Life.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

SALVAGUARDAR A LUCIDEZ

SALVAGUARDAR A LUCIDEZO GLOBO - 1º CADERNO - OPINIÃO - 22 de setembro de 2007
Uma conhecida história conta que o rabino viu um sujeito correndo desenfreado pelo mercado. Esbaforido, segurava com uma mão a mala e com a outra o chapéu para que não voasse. O rabino chamou o homem que, entre golfadas de ar, o cumprimentou. “Para onde você corre com tanta pressa?”, perguntou o rabino. “Como assim?”, disse o homem, não escondendo sua irritação por ter que parar. “Estou tentando ganhar a vida e corro atrás de meu sustento! Há oportunidades lá na frente que, se eu não correr, serão perdidas!” “E como você sabe que as oportunidades estão à sua frente?”, disse o rabino. “Quem sabe elas estão ao seu lado, ou, pior, talvez estejam atrás e você se afastando cada vez mais delas?” O homem ficou sem ação, ao que o rabino concluiu: “Meu amigo, não estou dizendo que não deva ganhar seu sustento, mas me preocupo que, na obsessão com seu ‘ganhar’, esteja comprometendo a ‘vida’.”

Realmente há algo de errado na expressão “ganhar a vida”, até porque a vida já está ganha. A diferença entre “vida” e “sustento” está no centro das questões de nosso tempo. Será pela qualidade dessa reflexão que teremos um futuro amigável ou litigioso. Fazer a vida girar em torno do sustento é algo semelhante ao vício cultural de dizer que o “sol nasceu”, implicando que é ele e não a Terra que experimenta o movimento de rotação. Saber distinguir o pivô do que é orbital é o início de toda a inteligência e a possibilidade de anteciparem-se mecânicas e trajetórias.

O nosso mundo é bem caracterizado por esse sujeito com uma mão na mala e outra segurando o chapéu. A mala é representativa de nosso materialismo desmedido, já a mão que segura o chapéu é simbólica da desagregação da identidade num individualismo exacerbado. O mundo é hoje regido pelo sustento. Essa foi a grande parceria entre comunismo e capitalismo que, mais do que adversários, estabeleceram definitivamente o sustento como a haste central de políticas públicas e da cultura. Talvez, em seu embate secular, ambos os sistemas tenham nos distraído da revolução central na cultura planetária que promoviam. Hoje, com todos os dados que temos do litígio que teremos com o futuro, ainda assim há uma lógica do “sustento” que se sobressai à lógica da vida. E nós não ficamos chocados com isso. Nós entendemos. O impacto econômico seria por demais desestabilizador. Interesses importantes ficariam comprometidos. Compreendemos e acolhemos a mesma lógica nazista, indiscutivelmente racional, que não se poupou em usar a vida como combustível para alimentar o desenvolvimento sustentável das circunstâncias de então.

E as políticas de sustentabilidade são hoje um band-aid em fratura exposta. Paliativos que terão pouco impacto na força acumulada pela inércia da cultura. É a cultura que alavanca o movimento maior de massas, de bilhões que não poderão mudar de curso de um dia para o outro. Está na hora de não corrermos mais para a frente. Para o sustento que está sempre na frente. Estabelecer economias de crescimento como única opção de futuro não exige grande dom profético para antever o desastre. Não será bolha, será implosão mesmo. É hora de olharmos para o lado e até para trás e esperarmos por uma nova revolução na cultura humana. Uma revolução que se valha de outras sensibilidades que não apenas a racionalidade. Foi ela que construiu todas as revoluções do século XIX e que afetam a nossa cultura até hoje. Esse iluminismo cultural desbancou a vida e ungiu o sustento. As várias fomes da vida se fizeram em uma única, a do sustento, e está difícil alimentá-la.

O dia do Kipur é um dia para se ter coragem de falar sobre acertos que provavelmente não faremos. Mas essa prática não se faz vazia por conta da dificuldade em promover transformação. É que queremos salvaguardar a lucidez e mantê-la como uma chama para que, em condições favoráveis, ela realimente a labareda de uma nova cultura. Uma cultura na qual, por exemplo, crescer e ter mais não signifique sempre qualidade, em que as oportunidades talvez estejam em não crescer, ou até em decrescer. Celebrar a lucidez nos dá a dimensão de nosso pecado; jejuar dá espaço para outras fomes. E só quando essas fomes forem despertas no ser humano haverá sustento para todos.

NILTON BONDER é rabino e escritor.

sábado, 11 de outubro de 2008

MEDITAÇÃO - PARTE II

Uma pessoa que possui uma metodologia de exercícios práticos e aplicáveis mesmo ao mundo corrido em que vivemos é Thich Nhat Hanh, mestre budista.

Este é um centro que ele fundou na França e de onde gera seus ensinamentos.

www.plumvillage.org

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

MEDITAÇÃO - ANTROPOSOFIA

Na linha do "comece a mudança que quer ver no mundo em você", a Antroposofia pode nos ajudar com algumas técnicas. Esta filosofia Alemã, criada no início do Século XX por Rudolf Steiner, se baseia numa visão do Homem em três aspectos centrais: MENTE - EMOÇÃO - VONTADE. Há também um detalhamento da constituição humana em 7 aspectos.


A MEDITAÇÃO ANTROPOSÓFICA E EXERCÍCIOS COLATERAIS

No capítulo "O conhecimento dos Mundos Superiores" de seu livro A Ciência Oculta (Editora Antroposófica, 1998), Rudolf Steiner introduziu os chamados "exercícios colaterais" (Nebenübungen) essenciais para uma atividade meditativa. Eles também podem ser encontrados no capítulo "A Senda do Conhecimento" de seu livro Teosofia (Ed. A., 1994). Segundo ele, para quem não pratica esses exercícios a meditação torna-se, na melhor das hipóteses, inefetiva, podendo mesmo chegar a ser prejudicial, como o desenvolvimento de ilusões, ficar-se incapacitado de distinguir entre verdade e erro, ou de conduzir a vida adequadamente, etc. Os exercícios devem ser feitos diariamente pelo menos durante alguns minutos, introduzindo-se-os gradualmente (por exemplo, de mês em mês) na ordem dada, e são os seguintes:

  1. Controle do pensamento. Trata-se de se concentrar o pensamento em algo bem simples do mundo real, podendo ser um objeto como um lápis, um alfinete, um sapato, etc. Deve-se pensar em tudo o que diz respeito ao objeto escolhido, e evitar todo o pensamento que não diga respeito direto ao mesmo. Steiner cita que se pode enfocar aspectos como quais as partes que compõem o objeto, as formas do mesmo, os materiais de que é feito, quando o objeto foi inventado, seus usos, etc., e recomenda particularmente que se faça esse exercício sobre objetos artificiais, que são fruto do pensamento humano e podem ser totalmente compreendidos. Quem pratica esse exercício percebe como nosso pensamento tem asas, querendo voar por paragens que não pretendíamos visitar. É necessário continuamente forçá-lo a voltar ao tema central escolhido.
  2. Controle da vontade. Trata-se de tomar uma decisão de realizar algo fisicamente, e cumpri-la. Assim, em lugar de se ser dirigido por eventos exteriores, executa-se algo por decisão exclusivamente própria. Para isso, é importante escolher uma ação que não tenha nada com a vida normal. Um bom exercício, segundo Steiner, é decidir-se executar no dia seguinte uma ação trivial; podemos citar, nesse sentido, ações como rodar um anel no dedo, ou o relógio no pulso, ou olhar para as núvens, ficar nas pontas dos pés, etc. Esse exercício deve ser feito sempre em momentos determinados do dia, tais como uma certa hora (não é preciso ser exato ao minuto), logo ao acordar, antes de uma refeição, ao abrir a porta de casa, etc.
  3. Serenidade nos sentimentos (eqüanimidade). É importante para a meditação posterior que a alma adquira serenidade, tornando-se soberana em relação ao prazer e à dor. Não se trata de não se sentir sentimentos profundos, mas sim que eles não nos coloquem fora de controle. Steiner denomina a isso "domínio da expressão do sentimento". Isto é, devemos ter sentimentos, mas não deixar que eles nos "tenham". Exemplos de perda de controle são entrar-se em desespero, chorando copiosamente, ou ficar fora de si de alegria. Mas também é importante evitar sentimentos ligados à futilidade, raiva, etc. Trata-se de se conscientizar dos próprios sentimentos, devendo ser praticado sempre que tais manifestações possam ocorrer.
  4. Positividade. Trata-se de encontrar em qualquer situação o que é belo ou bom, no meio do que é mais feio ou maldoso. De fato, não há praticamente nada no mundo que seja 100% feio ou mau. Steiner chama a atenção para não se cair em falta de discernimento, confundindo o mau com o bom, e sim reconhecer que sempre há um lado bom em tudo, por menor que esse lado seja.
  5. Abertura (receptividade) e imparcialidade. Deve-se sempre estar aberto a todas as novidades, por mais absurdas que possam parecer. A atitude correta é dizer-se "parece estranho, mas vou investigar", eliminando-se preconceitos. Steiner diz que é possível sempre aprender-se algo de novo "de cada sopro de ar, de cada folha". Não se deve ignorar experiências passadas; por outro lado, deve-se sempre estar pronto a adquirir novas experiências.
  6. Harmonização. Os 5 exercícios anteriores devem ser praticados adicionando-se um a um paulatinamente; cada novo exercício deve ficar em destaque, sem que se abandonem os anteriores. Quando eles tornarem-se parte do dia-a-dia do praticante, deve-se procurar produzir um equilíbrio entre eles, a fim de que passem a fazer parte de nossa própria natureza.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Uma visão integral sobre as eleições nos EUA

Quem é melhor? Obama, Hillary, ou será McCain? Democratas ou Republicanos?

Neste vídeo Ken Wilber aproveita o tema das eleições norte-americanas para discutir sobre direita-esquerda, divisões dentro dos dois lados, o que pode ser uma nova frente e o que realmente o aflige. 

Se você tiver meia hora, vale a pena assistir para ter contato com um pouco do pensamento integral aplicado na política, na formação de grupos e em como lidar de forma integral com a coletividade em todos os níveis de desenvolvimento. 

Ken Wilber - "Integral 'Third Way" Politics'

No You Tube há vários vídeos interessantes de Ken Wilber - é interessante ver a sua figura e a forma fácil com que ele se expressa. Eu não imaginava ele assim. E vocês, o que acharam do tio Ken? E sua visão sobre o futuro da política?

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

PLANOS DE DESENVOLVIMENTO

Ahh...As empresas adoram falar em Plano de Desenvolvimento...

Mas será que os modelos utilizados atualmente fazem sentido?

Não sei, mas algo me diz que não. Hoje assisti às apresentações dos projetos dos Estagiários da JC e percebi que a maioria está fazendo folhetos e faturamentos.

Quais são os critérios que as empresas usam para montar estes Planos de Desenvolvimento?

- Competências
- Pontos de Melhoria

Basicamente isso.

E o problema se explica. Porque as competências são somente aquelas ligadas diretamente às atividades profissionais do dia-a-dia e que a empresa enxerga como fundamentais para seu real objetivo - se perpetuar ganhando cada vez mais. Coisas do tipo: inovação e desafio do status quo, liderança em situações adversas, maturidade etc.

Há também o foco para que o "colaborador" (êta nome tosco!) desenvolva seus pontos fracos. E isso, com abordagens superficiais como cursinhos de prateleira e mais projetos do dia-a-dia, além de termos preenchidos em Words que nunca viram realidade.

O que seria um Plano de Desenvolvimento Integral?

Não sei, mas talvez um que possibilite o Desenvolvimento profissional e também pessoal do Ser Humano. As empresas adoram separar os papéis, mas cada vez mais acredito que simplesmente não dá para fazer isso...Se você tem uma vida pessoal detonada, sem saúde, com maus hábitos, não será um gênio maravilhoso no ambiente empresarial...

Assim, um caminho seria definir as competências que respeitem esta Vida Integral que respondam às 5 Saúdes baseadas na Antroposofia:


SAÚDES & COMPETÊNCIAS

  • Física - hábitos saudáveis relacionados ao equilíbrio em alimentação, esportes, horários, etc
  • Espiritual - busca respostas para os dilemas existenciais
  • Intelectual - pensamento estruturado e crítico
  • Emocional - inteligência emocional
  • Social - atuação autêntica no mundo
Será que as grandes corporações vão se abrir e pensar desta forma mais holística? Empresas que ajudariam o funcionário a pensar em si mesmo, para seu próprio bem em sua vida e não somente no trabalho...