Você já olhou para fora da janela hoje?

...
Mostrando postagens com marcador Vida Equilibrada. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vida Equilibrada. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A Conduta Única de Ghandi

Mulher e filho chegam à casa de Ghandi para pedir sua ajuda:

- Paizinho, por favor peça ao meu filho para comer menos açúcar, não sei mais o que fazer com o menino...

Ghandi responde:

- Por favor volte dentro de 1 mês e resolveremos o problema.

Depois de 30 dias, voltam mãe e filho. Ghandi recebe-os com um grande sorriso e diz:

- Menino, páre de comer açucar branco, faz muito mal à sua saúde e...

A mãe interrompe: - Mas, paizinho, por quê nos fez esperar um mês inteiro para dizer isso? Por que não conversou com o menino antes?

- Porque há 30 dias atrás, minha filha, eu também comia açúcar...

Parece que grande parte de nossos problemas como sociedade vêm do fato de estarmos acostumados a ter uma conduta pública e outra pessoal; políticos, executivos e até celebridades querem ser julgados por resultados e publicidade, mas não pelo que acontece entre quatro paredes.

Ghandi acreditava tanto nisso que passou (ao todo) 7 anos preso por discordar repetidamente com a tirania britânica e a classe dominante indiana. E sem mudar suas convicções...

E você, curinga, está em paz consigo mesmo? Consegue falar, sentir e agir as mesmas coisas?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

"Além do Materialismo Espiritual"

Este é o livro que está frequentando minha cabeceira nas últimas semanas, do mestre budista Chögyam Trungpa.

"O percurso correto do caminho espiritual é um processo muito sutil e não alguma coisa a que possamos atirar-nos ingenuamente. Existem numerosos desvios que levam a uma distorção egocentrada da espiritualidade; podemos iludir-nos, imaginando que estamos nos desenvolvendo espiritualmente quando, na verdade, não fazemos senão fortalecer nosso egocentrismo por meio de técnicas espirituais. A essa distorção básica pode dar-se o nome de materialismo espiritual."

"Na realidade, não desejamos identificar-nos com os ensinamentos ou vir a ser os ensinamentos. Assim, quando nosso mestre fala em renúncia do ego, tentamos imitar essa renúncia. Cumprimos as formalidades, fazemos os gestos apropriados, mas, na verdade, não queremos sacrificar parte alguma de nosso  modo de vida. Tornamo-nos atores habilidosos e, ao mesmo tempo que brincamos de surdo-mudos com os verdadeiros significados dos ensinamentos, encontramos algum conforto fingindo seguir o caminho."

"Não importa o que possamos usar para chegar à autojustificação: a sabedoria dos livros sagrados, diagramas ou mapas, cálculos matemáticos, fórmulas esotéricas, religião fundamentalista, psicologia profunda, ou qualquer outro mecanismo. ... Toda vez que temos uma noção dualística como, por exemplo: 'Estou fazendo isso porque quero atingir determinado estado de consciência, um determinado estado de ser', automaticamente nos separamos da realidade que somos."

UFF, para mim foi como um SOCO NO FÍGADO, "GUILTY AS CHARGED, YOUR HONOR"!!

E, lendo agora, ainda me fez lembrar dos Scuppies do Léo... ATÉ NOSSA ESPIRITUALIDADE ANDA VAZIA HOJE EM DIA...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

R U Scuppie?





Scuppie é a nova filosofia de vida
Eles vivem bem. São pessoas abastadas. Mas querem aprender a gastar, gastar "conscientemente". Felizes conscientes. Eco-mauricinhos, diz com ironia um jornalista veterano. O neologismo scuppie agrupa os indivíduos que, segundo suas próprias palavras, desejam "viver bem enquanto fazem o bem".
Embora contraditória para alguns, a palavra é um acrônimo resultante da expressão "socially conscious upwardly-mobile person" (algo como pessoa ambiciosa socialmente consciente), e surgiu quando Chuck Failla (comentarista de assuntos econômicos da CNN) colaborava com o cantor Bono num projeto de ajuda social. Foi ele quem teve a ideia do chamado Manifesto scuppie, cuja filosofia pode ser encontrada em
http://www.scuppie.com/
Failla se questionou se não era possível querer ascender profissionalmente e, ao mesmo tempo, ser socialmente consciente. "Ainda que eu ganhe dinheiro - responde Chuck Failla - não me esqueço que vivo em comunidade. Sei que devo envolver-me nas lutas pelo meio ambiente e contra a injustiça social".

Leiam um trecho do Manifesto Scuppie:
"Looking, acting and being a Scuppie isn’t just for politically correct movie stars, shaggy-haired high-tech gazillionaires and those lucky few who can afford to endow entire hospital wings in Africa or convert their Porsche Cayenne SUVs to run on hydrogen. Neither is social consciousness only for impassioned ascetics who distain flush toilets, subsist on tofu and brown rice, and yearn for the eventual overthrow of the capitalist system. You don’t have to be a zealot or a dilettante, just somebody who want to make the world a better place—and to be comfortable, well-fed and stylish while doing it."

Seriam os scuppies eco-chatos modernos, ou parte de uma nova consciência emergente?

domingo, 18 de janeiro de 2009

Um 2009 inspirado

Queria desejar um ótimo 2009 nessa primeira postagem do ano. Que tenhamos um ano de muitas idéias e de muita ação também, com êxitos e iluminação para a jornada de cada um.

E para lhes inspirar, indico visitarem o site de um artista bem peculiar, que pinta o ser humano integral, conectado com seu corpo, mente, espírito e natureza. Algumas destas pinturas são feitas a partir de experiências místicas. Além da precisão anatômica e beleza das cores, suas pinturas são uma forma interessante de visualizar o mundo de forma não-dual, cada um de nós como parte de um todo mutante e em evolução, e como se dá a interação com esse todo.

Alex vê a missão da sua arte como uma forma de ilustrar a alma e exercitar a percepção interior e ligação com o divino, para uma sociedade tão acostumada a perceber somente o aspecto exterior das coisas. Boas inspirações!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

"As a man, describe a time you have felt powerless based solely upon your gender"

Bem interessante este fórum no site IntegralLife.com, nunca tinha olhado a fundo a discriminação por este lado. Parando para pensar, vejo muitas situações no nosso cotidiano atual em que me sinto assim. E voce, curinga?

"Several years ago my marriage collapsed after my wife entered into a relationship with another man, a younger man. I did not have knowledge of it until she was irreversibly entrenched in the affair. We had a few talks. We went to a mariage counselor. I learned that I was being counseled to accept the change. We separated. We are going to be divorced. That's it! I felt powerless then. I feel powerless now. A unilateral decision was made. Done. No serious discussion about the cause(s) took place. The counselors accepted the woman's choice. The woman was not inclined to discuss why. No comment to me from family, friends, or workplace then or now. I would have welcomed interest and help. None. My point. The male stereotype is strong and silent. The female stereotype is weak and noisy. I was treated as a stereotypical male and she a stereotypical female. The culture legislated against me in favor of the woman on every level. All she had to say was "people change." Had I done the same thing the culture would have sympathized with the woman. It seemed that all of the consideration in this action was in the woman's favor. So, on one hand she was given the benefit of the doubt, i.e, I was justly left for another man without explanation, and on the other I am a man, and therefore there is no discussion necessary. I would be an adulterer if I was having the affair. The woman is excused by virtue of her sex and the new view of women as independent and free."

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

SALVAGUARDAR A LUCIDEZ

SALVAGUARDAR A LUCIDEZO GLOBO - 1º CADERNO - OPINIÃO - 22 de setembro de 2007
Uma conhecida história conta que o rabino viu um sujeito correndo desenfreado pelo mercado. Esbaforido, segurava com uma mão a mala e com a outra o chapéu para que não voasse. O rabino chamou o homem que, entre golfadas de ar, o cumprimentou. “Para onde você corre com tanta pressa?”, perguntou o rabino. “Como assim?”, disse o homem, não escondendo sua irritação por ter que parar. “Estou tentando ganhar a vida e corro atrás de meu sustento! Há oportunidades lá na frente que, se eu não correr, serão perdidas!” “E como você sabe que as oportunidades estão à sua frente?”, disse o rabino. “Quem sabe elas estão ao seu lado, ou, pior, talvez estejam atrás e você se afastando cada vez mais delas?” O homem ficou sem ação, ao que o rabino concluiu: “Meu amigo, não estou dizendo que não deva ganhar seu sustento, mas me preocupo que, na obsessão com seu ‘ganhar’, esteja comprometendo a ‘vida’.”

Realmente há algo de errado na expressão “ganhar a vida”, até porque a vida já está ganha. A diferença entre “vida” e “sustento” está no centro das questões de nosso tempo. Será pela qualidade dessa reflexão que teremos um futuro amigável ou litigioso. Fazer a vida girar em torno do sustento é algo semelhante ao vício cultural de dizer que o “sol nasceu”, implicando que é ele e não a Terra que experimenta o movimento de rotação. Saber distinguir o pivô do que é orbital é o início de toda a inteligência e a possibilidade de anteciparem-se mecânicas e trajetórias.

O nosso mundo é bem caracterizado por esse sujeito com uma mão na mala e outra segurando o chapéu. A mala é representativa de nosso materialismo desmedido, já a mão que segura o chapéu é simbólica da desagregação da identidade num individualismo exacerbado. O mundo é hoje regido pelo sustento. Essa foi a grande parceria entre comunismo e capitalismo que, mais do que adversários, estabeleceram definitivamente o sustento como a haste central de políticas públicas e da cultura. Talvez, em seu embate secular, ambos os sistemas tenham nos distraído da revolução central na cultura planetária que promoviam. Hoje, com todos os dados que temos do litígio que teremos com o futuro, ainda assim há uma lógica do “sustento” que se sobressai à lógica da vida. E nós não ficamos chocados com isso. Nós entendemos. O impacto econômico seria por demais desestabilizador. Interesses importantes ficariam comprometidos. Compreendemos e acolhemos a mesma lógica nazista, indiscutivelmente racional, que não se poupou em usar a vida como combustível para alimentar o desenvolvimento sustentável das circunstâncias de então.

E as políticas de sustentabilidade são hoje um band-aid em fratura exposta. Paliativos que terão pouco impacto na força acumulada pela inércia da cultura. É a cultura que alavanca o movimento maior de massas, de bilhões que não poderão mudar de curso de um dia para o outro. Está na hora de não corrermos mais para a frente. Para o sustento que está sempre na frente. Estabelecer economias de crescimento como única opção de futuro não exige grande dom profético para antever o desastre. Não será bolha, será implosão mesmo. É hora de olharmos para o lado e até para trás e esperarmos por uma nova revolução na cultura humana. Uma revolução que se valha de outras sensibilidades que não apenas a racionalidade. Foi ela que construiu todas as revoluções do século XIX e que afetam a nossa cultura até hoje. Esse iluminismo cultural desbancou a vida e ungiu o sustento. As várias fomes da vida se fizeram em uma única, a do sustento, e está difícil alimentá-la.

O dia do Kipur é um dia para se ter coragem de falar sobre acertos que provavelmente não faremos. Mas essa prática não se faz vazia por conta da dificuldade em promover transformação. É que queremos salvaguardar a lucidez e mantê-la como uma chama para que, em condições favoráveis, ela realimente a labareda de uma nova cultura. Uma cultura na qual, por exemplo, crescer e ter mais não signifique sempre qualidade, em que as oportunidades talvez estejam em não crescer, ou até em decrescer. Celebrar a lucidez nos dá a dimensão de nosso pecado; jejuar dá espaço para outras fomes. E só quando essas fomes forem despertas no ser humano haverá sustento para todos.

NILTON BONDER é rabino e escritor.