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sexta-feira, 20 de março de 2009


Ontem, dia 19 de março, dois curingas estiveram no Epicentro - evento inspirado no TED - onde pessoas comuns, empreendedores, inventores, intelectuais, enfim - qualquer um que tenha uma idéia bombástica e que esteja lutando por sua realização pode divulgar seu projeto ou idéia. Foram diversas palestras em um espaço pequeno para todos os que estavam presentes - como chegamos cedo - ficamos na primeira fileira. Logo de cara uma bomba: Somos Gênios Idiotas - uma apresentação de Luciano Pires muito bem feita sobre como existem hoje mais pessoas entre o Medíocre e o Idiota, do que entre o Medíocre e o Gênio, uma reflexão sobre tudo aquilo que "engolimos" mente abaixo, que vem em sua maioria desta entidade "maligna" generalizada como Mídia - e uma idéia: aulas na escola, desde o primário até o colegial, para educar o povo a ler, criticar e interpretar notícias. Interessante...
Seguiram-se palestras sobre Crowdsourcing, que, na minha opinião é um dos grandes componentes da Nova Economia (vide wikipedia) - com a idéia do Capitalismo Direto - onde, via redes organizadas, conseguiríamos uma participação efetiva da população nas decisões políticas, começando pelas comunidades de bairros e subprefeituras. O brother do Mais Tempo, um muleque, empreendedor que fez sua primeira empresa com 13 anos e hoje é um guru mundial da administração do tempo; um outro, defensor fervoroso do software livre - um gordinho que deve ter sido o maior astro da Campus Party - que com certeza não conseguiu tantos aplausos em meio a uma plateia mais "tradiça"; Um senhor geólogo de 70 anos, doidaço, defendeu a tese de que o petróleo nunca vai acabar e que todas as preocupações ambientais hoje são terrorismo para segurar os países pobres "Vamos queimar petróleo minha gente, é isso que vai dar emprego pro povo, deixa queimar a Amazónia" e "a vida na terra vai acabar muito antes de acabar o petróleo, então por que estamos preocupados?", "Efeito estufa não existe", foram algumas pérolas. Mas também alguns bons argumentos sobre como o efeito de aquecimento global e subida do nível do mar não são causados pelo homem. Bons questionamentos.
O rapaz que criou aquela loja de informática "Plug & Use" e mais mil outros empreendimentos, hoje é um "caçador de empreendedores", tem um programa na TV Ideal sobre isso inclusive, falando sobre auto conhecimento (it all comes down to it - observação minha) Aleksandar Mandic, na minha opinião, deu o melhor depoimento de um empreendedor de sucesso com uma boa idéia na cabeça e vontade de fazer na mão - desiludido com um emprego que rejeitou sua boa idéia - fez seu projeto no trabalho virar seu ganha-pão - e em 4 anos estava faturando 2 milhões, praticamente sem custo algum. Ótimas lições sobre o que você precisa ter pra fazer a virada - e o principal é que a sua vontade tem que ser maior do que seu medo. Mais uma palestra sobre Venture Capital (interessante para empreendedorismo, inclusive social), a moça que inventou o método Quantum de avaliação pessoal falou sobre motivação pra seguir em frente, perseverança e resiliência pra tomar tombos e levantar-se com força pra continuar, e um assessor de um político do Rio de Janeiro que vale um post, pois foi realmente um empreendedor social em um mar de canalhas (também não boto minha mão no fogo, mas pareceu interessante). Tive que ir embora às 10 pras oito da noite, sem ver algumas palestras.

Deu pra ver que o evento foi diversificado, com um formato que pode ser melhorado - até um pouco sonhador no início, com idéias utópicas e poucas coisas que realmente viraram dinheiro ou com potencial direto pra melhorar a vida das pessoas em curto prazo. Ainda assim foi uma ótima fuga do trivial e um encontro com pessoas que também estão cansadas das amarras, da matriz - curingas que querem fazer seu próprio caminho. Boas idéias surgiram com certeza, e aquele bicho que a gente tem aqui dentro da cabeça ficou mais agitado. Principalmente a idéia de que idéia não existe sem vontade e energia pra realizá-la. Os três empreendedores reais que se apresentaram, na minha opinião, foram os mais interessantes e inspiradores. A iniciativa está de parabéns e desejo sucesso na repercussão e na próxima edição, que será em Outubro em São Caetano. Vou acompanhar os fóruns que devem aparecer e trazer boas discussões. Sobre algumas pessoas que falei aqui, vale a pena um post individual e os links para seus blogs. Deixo para o curinga Fabio a missão de dar sua opinião também.

Abraços e mãos à obra!







quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

PARIS - Crise, Luxo e a Moralização do Capitalismo

Olá amigos Curingas, volto ao assunto com um empurrãozinho de alguns artigos que encontrei e proclamo a discussão de uma Nova Economia!


Proponho que esta discussão seja feita em Paris, degustando brioches, acompanhados por uma taça de champagne local.

Mas sirvam até a metade, afinal, não queremos disperdiçar!


Lá mesmo, Paris, onde onde revolução e o pensamento progressista andam junto com futilidade e etiqueta, gerando uma curiosa reação sobre os efeitos da crise no berço da cultura e do luxo.
Dirigentes de empresas francesas que definem o que é luxo na moda, bebidas e alimentos, mantém a pose, dizem não estar nem pensando na crise, apesar de estarem demitindo. Por outro lado, uma classe de pensadores fala sobre uma nova revolução, a hora de extinguir totalmente o luxo como forma de "purificação moral".

Os mais sensatos veem aí um ótima oportunidade para tocar no assunto da moralização da economia, sugerindo aos vendedores do luxo que baixem seus preços e aos franceses que levem uma vida mais simples. Tomando as rédeas da discussão, Sarkozy juntou-se a Tony Blair e a alguns ganhadores do Nobel nos primeiros dias deste ano (New World, New Capitalism symposium) para dizer que o capitalismo - puramente financeiro - virou um sistema imoral, onde a lógica de mercado está acima de qualquer coisa. Propõe a discussão de um novo capitalismo, sugerindo inclusive uma regulação maior do Estado, ou de uma instituição internacional formada para isso.

A discussão tocou em uma cooperação internacional para um capitalismo responsável, que encoraje a responsabilidade social e ambiental, com regas e métricas mais claras para o mercado financeiro e controle maior dos preços de energia (hum, complicado não?). Sarkozy também falou sobre não aceitar a dominação ideológica dos EUA e sobre políticas protecionistas que devem ser tomadas quando um país faz uma ajuda grande a uma dada indústria, como está ocorrendo na indústria automobilística. (Hum, por essas e por outras muitos dirigentes de países convidados não compareceram).

Contradições à parte, não será nada fácil... Espero que a discussão traga novos caminhos que não sejam barrados e nem caiam nas nuvens dos problemas muito difíceis de serem discutidos...

Um capitalismo "mais moral" é subjetivo o bastante para você caro Curinga? Continuemos otimistas.

Para finalizar a "provocação". No último dia 14, em um encontro de estudantes budistas em Varanasi, sua santidade o Dalai Lama disse que a causa da crise econômica é uma crise moral mundial - "o egoísmo e a falta de espiritualidade e cultura no mundo são as causas-chave da crise no mercado financeiro mundial" - "as pessoas esqueceram como suas próprias riquezas e as dos outros estão conectadas". Disse também que a solução está em reconhecer nossa interdependência, o valor da educação e a proteção do meio ambiente, que precisamos diminuir nosso interesse pelo consumismo, sermos menos egoístas e entendermos que se queremos sobreviver e sermos felizes, todos devemos sobreviver em conjunto.

No dia 2 de abril, em Londres, o grupo de Sarkozy e Blair se reunirá de novo para definir a estrutura de um novo sistema capitalista. Vamos acompanhar. O que você acha que deve constar nesta estrutura?


Boa discussão, e por favor alguém me passa o foi-gras para eu passar no pão...

Pra quem quiser ver mais, baseei-me nos artigos: