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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Escolhas corporativas e o discurso de Edward Murrow

Caros colegas

Existe verdade na frase: "esqueça seus sonhos e ganhe dinheiro?"
Qualquer um pode se dar bem fazendo o que gosta?

Pra pensar, para quem puder ler, entrego-lhes o discurso de Edward Murrow, que em 1958 peitou um senador americano em plena Guerra Fria e fez um discurso que deveria estar na porta de toda emissora de TV. E deveria também ser discutido em toda escola de negócios, porque provoca o pensar sobre os fins e os meios. É fácil desviar o caminho, difícil é mudar uma história de vícios. O discurso é longo, vale a pena ler a parte final, clicando aqui. Ou cliquem aqui para ver uma parte em vídeo.

Sua batalha com o senador Joseph McCarthy inspirou o filme "Boa noite e boa sorte", de George Clooney, no qual trechos deste discurso são citados.

O link original está no blog do Walter Carrilho, uma dica pra quem quiser dar umas boas risadas e curte uma sátira ao estilo CQC.

sexta-feira, 20 de março de 2009


Ontem, dia 19 de março, dois curingas estiveram no Epicentro - evento inspirado no TED - onde pessoas comuns, empreendedores, inventores, intelectuais, enfim - qualquer um que tenha uma idéia bombástica e que esteja lutando por sua realização pode divulgar seu projeto ou idéia. Foram diversas palestras em um espaço pequeno para todos os que estavam presentes - como chegamos cedo - ficamos na primeira fileira. Logo de cara uma bomba: Somos Gênios Idiotas - uma apresentação de Luciano Pires muito bem feita sobre como existem hoje mais pessoas entre o Medíocre e o Idiota, do que entre o Medíocre e o Gênio, uma reflexão sobre tudo aquilo que "engolimos" mente abaixo, que vem em sua maioria desta entidade "maligna" generalizada como Mídia - e uma idéia: aulas na escola, desde o primário até o colegial, para educar o povo a ler, criticar e interpretar notícias. Interessante...
Seguiram-se palestras sobre Crowdsourcing, que, na minha opinião é um dos grandes componentes da Nova Economia (vide wikipedia) - com a idéia do Capitalismo Direto - onde, via redes organizadas, conseguiríamos uma participação efetiva da população nas decisões políticas, começando pelas comunidades de bairros e subprefeituras. O brother do Mais Tempo, um muleque, empreendedor que fez sua primeira empresa com 13 anos e hoje é um guru mundial da administração do tempo; um outro, defensor fervoroso do software livre - um gordinho que deve ter sido o maior astro da Campus Party - que com certeza não conseguiu tantos aplausos em meio a uma plateia mais "tradiça"; Um senhor geólogo de 70 anos, doidaço, defendeu a tese de que o petróleo nunca vai acabar e que todas as preocupações ambientais hoje são terrorismo para segurar os países pobres "Vamos queimar petróleo minha gente, é isso que vai dar emprego pro povo, deixa queimar a Amazónia" e "a vida na terra vai acabar muito antes de acabar o petróleo, então por que estamos preocupados?", "Efeito estufa não existe", foram algumas pérolas. Mas também alguns bons argumentos sobre como o efeito de aquecimento global e subida do nível do mar não são causados pelo homem. Bons questionamentos.
O rapaz que criou aquela loja de informática "Plug & Use" e mais mil outros empreendimentos, hoje é um "caçador de empreendedores", tem um programa na TV Ideal sobre isso inclusive, falando sobre auto conhecimento (it all comes down to it - observação minha) Aleksandar Mandic, na minha opinião, deu o melhor depoimento de um empreendedor de sucesso com uma boa idéia na cabeça e vontade de fazer na mão - desiludido com um emprego que rejeitou sua boa idéia - fez seu projeto no trabalho virar seu ganha-pão - e em 4 anos estava faturando 2 milhões, praticamente sem custo algum. Ótimas lições sobre o que você precisa ter pra fazer a virada - e o principal é que a sua vontade tem que ser maior do que seu medo. Mais uma palestra sobre Venture Capital (interessante para empreendedorismo, inclusive social), a moça que inventou o método Quantum de avaliação pessoal falou sobre motivação pra seguir em frente, perseverança e resiliência pra tomar tombos e levantar-se com força pra continuar, e um assessor de um político do Rio de Janeiro que vale um post, pois foi realmente um empreendedor social em um mar de canalhas (também não boto minha mão no fogo, mas pareceu interessante). Tive que ir embora às 10 pras oito da noite, sem ver algumas palestras.

Deu pra ver que o evento foi diversificado, com um formato que pode ser melhorado - até um pouco sonhador no início, com idéias utópicas e poucas coisas que realmente viraram dinheiro ou com potencial direto pra melhorar a vida das pessoas em curto prazo. Ainda assim foi uma ótima fuga do trivial e um encontro com pessoas que também estão cansadas das amarras, da matriz - curingas que querem fazer seu próprio caminho. Boas idéias surgiram com certeza, e aquele bicho que a gente tem aqui dentro da cabeça ficou mais agitado. Principalmente a idéia de que idéia não existe sem vontade e energia pra realizá-la. Os três empreendedores reais que se apresentaram, na minha opinião, foram os mais interessantes e inspiradores. A iniciativa está de parabéns e desejo sucesso na repercussão e na próxima edição, que será em Outubro em São Caetano. Vou acompanhar os fóruns que devem aparecer e trazer boas discussões. Sobre algumas pessoas que falei aqui, vale a pena um post individual e os links para seus blogs. Deixo para o curinga Fabio a missão de dar sua opinião também.

Abraços e mãos à obra!







quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Empreendedores do mundo, uni-vos!

2 rápidas idéias "verdes" para adicionar na lista, quem vai achar a coragem?

GreenIrene - "Home makeovers" para tornar sua casa "eco-friendly".
Vegawatt - Reaproveitamento de óleo vegetal de restaurantes para gerar eletricidade e água quente.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Wheels when you want them

O Léo vem falando de uma idéia parecida (ou igual, acho) faz tempo... bom, alguém mais também pensou nisso e já montou uma empresa nos EUA e UK. É a ZipCar, que diz estar redefinindo o modo como as pessoas pensam sobre transportes... menos carros, menos trânsito e menos poluição.

O conceito é que o "assinante" tem acesso a carros para uso "por hora", espalhados por diversos locais da cidade ou país. E recentemente fecharam uma parceria com o ParkAtMyHouse.com, que tem a mesma filosofia, mas pensando em vagas de estacionamento ou garagem. 

Chega de todos aqueles carros eternamente parados nas garagens de prédios ou das imensidões de estacionamentos vazios ocupando terrenos que podem ser melhor utilizados. Not bad, uh?

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

SALVAGUARDAR A LUCIDEZ

SALVAGUARDAR A LUCIDEZO GLOBO - 1º CADERNO - OPINIÃO - 22 de setembro de 2007
Uma conhecida história conta que o rabino viu um sujeito correndo desenfreado pelo mercado. Esbaforido, segurava com uma mão a mala e com a outra o chapéu para que não voasse. O rabino chamou o homem que, entre golfadas de ar, o cumprimentou. “Para onde você corre com tanta pressa?”, perguntou o rabino. “Como assim?”, disse o homem, não escondendo sua irritação por ter que parar. “Estou tentando ganhar a vida e corro atrás de meu sustento! Há oportunidades lá na frente que, se eu não correr, serão perdidas!” “E como você sabe que as oportunidades estão à sua frente?”, disse o rabino. “Quem sabe elas estão ao seu lado, ou, pior, talvez estejam atrás e você se afastando cada vez mais delas?” O homem ficou sem ação, ao que o rabino concluiu: “Meu amigo, não estou dizendo que não deva ganhar seu sustento, mas me preocupo que, na obsessão com seu ‘ganhar’, esteja comprometendo a ‘vida’.”

Realmente há algo de errado na expressão “ganhar a vida”, até porque a vida já está ganha. A diferença entre “vida” e “sustento” está no centro das questões de nosso tempo. Será pela qualidade dessa reflexão que teremos um futuro amigável ou litigioso. Fazer a vida girar em torno do sustento é algo semelhante ao vício cultural de dizer que o “sol nasceu”, implicando que é ele e não a Terra que experimenta o movimento de rotação. Saber distinguir o pivô do que é orbital é o início de toda a inteligência e a possibilidade de anteciparem-se mecânicas e trajetórias.

O nosso mundo é bem caracterizado por esse sujeito com uma mão na mala e outra segurando o chapéu. A mala é representativa de nosso materialismo desmedido, já a mão que segura o chapéu é simbólica da desagregação da identidade num individualismo exacerbado. O mundo é hoje regido pelo sustento. Essa foi a grande parceria entre comunismo e capitalismo que, mais do que adversários, estabeleceram definitivamente o sustento como a haste central de políticas públicas e da cultura. Talvez, em seu embate secular, ambos os sistemas tenham nos distraído da revolução central na cultura planetária que promoviam. Hoje, com todos os dados que temos do litígio que teremos com o futuro, ainda assim há uma lógica do “sustento” que se sobressai à lógica da vida. E nós não ficamos chocados com isso. Nós entendemos. O impacto econômico seria por demais desestabilizador. Interesses importantes ficariam comprometidos. Compreendemos e acolhemos a mesma lógica nazista, indiscutivelmente racional, que não se poupou em usar a vida como combustível para alimentar o desenvolvimento sustentável das circunstâncias de então.

E as políticas de sustentabilidade são hoje um band-aid em fratura exposta. Paliativos que terão pouco impacto na força acumulada pela inércia da cultura. É a cultura que alavanca o movimento maior de massas, de bilhões que não poderão mudar de curso de um dia para o outro. Está na hora de não corrermos mais para a frente. Para o sustento que está sempre na frente. Estabelecer economias de crescimento como única opção de futuro não exige grande dom profético para antever o desastre. Não será bolha, será implosão mesmo. É hora de olharmos para o lado e até para trás e esperarmos por uma nova revolução na cultura humana. Uma revolução que se valha de outras sensibilidades que não apenas a racionalidade. Foi ela que construiu todas as revoluções do século XIX e que afetam a nossa cultura até hoje. Esse iluminismo cultural desbancou a vida e ungiu o sustento. As várias fomes da vida se fizeram em uma única, a do sustento, e está difícil alimentá-la.

O dia do Kipur é um dia para se ter coragem de falar sobre acertos que provavelmente não faremos. Mas essa prática não se faz vazia por conta da dificuldade em promover transformação. É que queremos salvaguardar a lucidez e mantê-la como uma chama para que, em condições favoráveis, ela realimente a labareda de uma nova cultura. Uma cultura na qual, por exemplo, crescer e ter mais não signifique sempre qualidade, em que as oportunidades talvez estejam em não crescer, ou até em decrescer. Celebrar a lucidez nos dá a dimensão de nosso pecado; jejuar dá espaço para outras fomes. E só quando essas fomes forem despertas no ser humano haverá sustento para todos.

NILTON BONDER é rabino e escritor.